domingo, 23 de novembro de 2014

Sem saída

Olham para a minha cara trancada com insatisfação
Acham que ando assim porque quero, percebo a indignação
Mas nenhum procura saber a verdadeira razão
É que eu já dei um sorriso em troca de uma desilusão

E os dias passam, e por muito que bata não me abrem uma porta
Nem acredito em Deus, mas deve ter sido ele a escrever a minha vida torta
Não importa, porque tento manter-me firme
Mas dispararam tanto sobre a minha esperança que devia ser considerado crime

Ao meu redor só vejo indivíduos sem grandes aspirações
Intoxicam-se tanto que a realidade é que parece alucinações
E tu que te achas superior, não faças confusões
Não te armes em O'Leary que viras peixinho dourado neste lago dos tubarões

Porque aqui não há espaço para sociais com pseudo-fama
Aqui roubam-te o que tens para comprar a próxima "instagrama"
Não é por luxúria ou porque querem acabar na lama
Mas apenas porque é o que lhes adormece a dor quando chega a hora de ir pra cama

Eu não me meto nisso, talvez apenas por orgulho
Ou porque sei que é como ir amarrado aos mares do Meco dar um mergulho
Já não voltas, é um beco sem saída, um poço sem fundo
Cais na irrealidade de um sono demasiado profundo

Amor? Procurava-o como uma fuga às vezes
Mas espanquei tanto o cúpido que sou julgado no concílio dos Deuses
Numa sentença aprovada mais que uma vez por diversas unanimidades
Porque até o meu advogado me queria ver atrás das grades

E assim fiquei, preso sem ninguém
Sequestrado, usado e refém
Esperando um milagre que nunca vem
Destruindo um futuro que nunca montei.

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