quinta-feira, 20 de novembro de 2014

É tudo.

Não jogues um jogo que não sabes as regras
Sem coragem nem as cumpres nem as quebras
Se calhar a minha valentia não te dá a garantia que eu queria
Mas tinha certezas que a minha simpatia não te feria
Regalia, a que tu tiveste de eu te dar confiança
Uma herança sem herdeiros a que estava preso mas tu pagaste a fiança
Grande esperança, que eras diferente, especialmente na forma em como me julgavas
A maneira como me tratavas, a atitude que não entravas, por um mal que não receavas
O que esperavas? Que eu sem juízo tivesse consciência de pecados que aos meus olhos eram virtuais
Ilegais, sem crime ou sentença das nossas ações iguais
Quem nomeou o advogado do diabo que me condena sem razão
Ou a realidade em que vivíamos era apenas minha ilusão?
Sempre ao tropeção, nas minhas utopias ridículas de que alguém estaria em sintonia comigo
Acreditar em fantasias com esta idade, seguir os becos sem saída que eu sigo
Reciclo todas as emoções estapafúrdias de que os travões somos nós que pressionamos
Porque a mim isto parece uma estrada molhada em que não tive medo de acelarar num veículo que não é o que esperamos
Planos? Tinha muitos, por anos, a troco de honestidade e tolerância
Mas estou com um peso nas costas não partilhado que partiu a balança
Cansa saber que um desrespeito floriu duma planta morta
Duma insegurança que entrou numa sala sem porta
E o agora o que importa? Nada porque isto trouxe-me ao zero
Que também sendo um número mostrou-me que nada é como eu quero
Desespero? Não, talvez um pouco por desilusão
Que tudo o que eu passei ser simples, acabou por fazer confusão
E a razão? Fica com ela, eu fico com a vergonha
De à conta de um tiro mal disparado tenho de passar a noite a secar as lágrimas da fronha.

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