sábado, 26 de abril de 2014

Eu não merecia

Eu era aquele que te ignorava quando precisavas
Não me preocupava com o estado em que estavas
Não ligava ao que tu achavas
E te virava costas quando menos esperavas

Era aquele que não queria saber de ti
Deixava-te entregue a uma selva onde é cada um por si
Não te dava segurança nem te carregava
Quando nem para andar o teu corpo forças guardava

Era aquele que te trocava por tibarias e arruaças
Que te deixava sozinha na cama por saídas e outras graças
Não te ouvia como se tivesses mordaças
Enquanto procurava mulheres de todas as raças.

Era aquele que te traía sempre que podia
E de dia eu mentia pelo gozo que me dava quando te iludia
Quando chegava a tua casa com marcas de outra qualquer
E esperava deitar-me na tua cama como se fosse de aluguer.

Não.

Era aquele que te aturava quando parecia impossível
Compreendia aquilo que nem era percebível
Te limpava as lágrimas do rosto e as coleccionava
E te punha a sorrir ou pelo menos tentava

Era aquele que te mimava com o que podia
Prendas e tudo mais que a minha carteira permitia
E quando não tinha mais para te dar
Me esforçava para um simples abraço chegar.

Era aquele que me deitava contigo sem intenções
Que te beijava sem ser para movimentar colchões
Mas quando acontecia sabes que fazia tudo o que te satisfaz
Punha-me para segundo plano como nem todo o rapaz é capaz

Era aquele que podiam bater a porta as que quisessem
Era-te sempre fiel por muito que fizessem
E me entregava a ti, dava-te a exclusividade
Do meu amor sem artificialidade.

E por isso eu sei que não merecia
Por tudo o que te dei na minha vida
Cada mentira e engano profano a que tive direito
Não se encaixa na nossa história que eu via como um livro perfeito.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hospital

Acordei nesta cama sem saber o porquê de estar aqui deitado
Tentei-me levantar mas o movimento foi escusado
Não me consigo mexer não sinto o meu corpo
Estou completamente dormente, estou a dar em louco.

Ao meu redor é tudo branco, desde os lençóis às paredes
Tenho agulhas espetadas em várias artérias diferentes
Não me lembro de nada, será que tive um acidente
E será que estou aqui sozinho por ser indiferente?

Olho para o lado e vejo uma roupa molhada
Não vejo bem mas parece-me que foi por mim usada
Olho à minha volta e é só silêncio e vazio
Sinto nos ossos uma dor e por dentro sinto frio.

Não sei do meu telemóvel, acho que me tiraram por segurança
Com medo que perguntasse a alguém o que fazia ali à procura de esperança
Não tenho fome, pudera com tanto soro fisiológico
Não sinto o meu físico e não sei do meu psicológico.

Os médicos passam e não dizem nada
Trocam-me a medicação de cara trancada
Já nem tento perguntar o que faço nesta cama
Continuo sem resposta e já estou por cá há uma semana

Não procuro ver ninguém nem saudades sinto
Enquanto escrevo muitas vezes, desta vez eu não minto
Porque se nas minhas estrofes eu torno a minha vida mais real
Quem me dera que a minha escrita me tirasse deste hospital

Na minha cabeça apenas algumas sombras e poucas memórias
Tentar dormir mas sou absorvido pelas insónias
Mas continuo cada dia a tentar respirar mais uma vez
A lutar pela vida com toda a força que falta me fez.




sexta-feira, 4 de abril de 2014

P*ta da Minha Vida

Farto dessas pegas que se fazem passar por santas
Nem sabem quantas camas já deitaram por serem tantas
Mas para mentirosas como essa, a festa acabou
Vai fazer negócio para outro lado, qu'esta rua p'ra ti fechou.

Cara de anjinha já não manipula ninguém
Porque por fama ela pula em cima de alguém
Alta rotação como as rodas dos teus patins
Rodas tanto por Lisboa pareces um autocarro da Carris.

Enganas e seduzes, dás o corpo ao manifesto
Se no final dá para torto dizes que eu é que não presto
Já ninguém acredita em nada do que tu dizes
Todos sabem que não aguentas ver os teus rapazes felizes.

E choras como se te doesse no coração que nem tortura
Mas só te deve doer algures abaixo da cintura
Porque deve ser tramado achar que outras estão satisfeitas
A usar o material que já quiseste mas depois rejeitas.

Nem te importa se tens alguém ao teu lado
Queres sempre mais, deve-te dar excitação ao quadrado
Brincas com os sentimentos mas depois não gostas quando brincam com os teus
Deves-te considerar uma deusa mas nós somos todos ateus.

Confiança esgotou, nenhuma palavra se escreve vinda dessa boca
Ninguém quer acreditar nas promessas de uma pita louca
Que diz tudo e mais alguma coisa, uma mentira dissimulada
Só para o final do dia acabar na cama molhada

E empinas esse rabo porque é a única coisa que te faz valer
E não é por tantos o comerem que ele vai emagrecer
Por isso se passasses menos tempo agachada fazias melhor serviço
No ginásio esforças-te o mesmo e ainda perdes peso com isso.

Escusas de dizer que o teu corpo é Meo que é tudo mentira
Porque na tua Zon, todos sabem que os teus serviços são Optimus rapariga
Por isso Logo que te apercebas que todos te dão Uso para o que querem
Phonix, porque é que fazes tudo o que as tuas hormonas pedem?

Para concluir há quem diga que a vida é uma puta
Aconselho a não fazerem duma puta a sua vida
Porque se é para escolher uma indecente como esta pra não quebrar o fluxo
Não quero uma pega barata, vou fazer da minha vida uma acompanhante de luxo.