Corrosivo como ácido
Mágico naquilo que faço
Escasso, é o teu talento
És lento, daí o teu fracasso
Aniquilo-te sem ser delinquente
Mas vê como estou de língua quente
Sou amado nesta margem
tu posto à margem na tua margem
não tens margem de vadiagem
Senão vê como reagem
Os que querem ver a tua personagem
Com uma face deformada sem imagem
Que os espelhos quando vêem partem
Como se ardesses depois duma capotagem.
Queres os meus amigos? Toma.
Queres a minha miúda? Leva.
Queres a minha vida? Aceita.
Não te censuro. Dou-te dois dias
Até fugias enquanto vias
Que as regalias que esperarias ter
Não são tão fáceis de absorver
Achas que é tudo facilitado
Deste lado, é tipo reino encantado
Sonhos cor-de-rosa como estes mais vale estar acordado
Estou sempre tipado, achas que tenho gostado?
Achas que é por prazer que estou sempre neste estado?
Se calhar é por não querer lembrar
O que na minha vida tenho de aguentar
Os amigos que tu querias ter
Dão te palmadas nas costas com x-actos abertos
Só estão por perto quando os euros estão certos
Quando estás em alta na ribalta
Enquanto a quantia na tua conta bancária salta.
A miúda que tu desejas
Por-lhe a mão no rabo enquanto a beijas
Levar a cabo as tuas fantasias
Ironias quando a vires a fugir de ti com outro qualquer
Que a faz sentir mais mulher
Que tem um carro melhor que o teu que a deixa louca
Tão excitada que ela lhe mete as mudanças com a boca
Tem mais fama que tu, pitas atrás dele no instagram
E enquanto o teu corpo treme, ela com o outro geme
Faz mais barulho que uma ambulância do Inem
E tu em casa sozinho com a pornografia e um bom creme.
E então man, achas que aguentas esta vida?
Perdida, mais difamada que o virus da Sida
E dissuadida por todos o que te querem ver de seguida
Num estrada perdida, no fim um beco sem saída
E tu? A quereres a tua vida antiga
Monótona sem euforia
Na tua casinha na herdade
Longe da verdade
De uma realidade que tu quiseste e não aguentaste
E no final és só un traste arrastado pelas luzes que acabaram por te encadiar
Mas lembra-te que quem vê luzes é porque a morte os vem buscar.