quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Memofante

Não costumo perder tempo no que fica para trás
Até porque tanto fiz que agora tanto faz
Mas há muitas coisas que eu não consigo perceber
E muitas outras que ficaram por dizer

Se calhar é difícil recordar momentos
Foste uma prenda de natal duradoura, todos os meses eram dezembros
E um ano passou com o tempo voou
E da mesma maneira que tudo começou, repentinamente acabou

Não estou pra fiingir hipocrisias
Ou escrever estrofes de amor vazias
Mas se me ter te trouxe tantas regalias
Diz porquê que só de ouvir o meu nome te arrelias 

Pra mim é estranho perceber como dizas que amavas
Dizias que era o melhor, a pé juntos juravas
"Gonçalo, não te podes comparar com eles"
E agora concretizas todos os meus pesadelos

Nunca fui perfeito mas porra recorda
Dos quilómetros que fazia só pra te deixar segura à porta
Agora passas por mim não vejo gratidão
Nem um cumprimento apenas nos teus olhos desilusão

Só me provaste o que já desconfiava 
Que o teu amor era verbal, uma emoção não fundamentada 
Insististe em iludir-me numa realidade que não existia
Lavei os olhos com lixívia pra ver o contrário do que já sabia

Cego me tornei, louco que me transformei
O orgulho inspirei, as minhas necessidades reformei
Dramas aguentei, desilusões perdoei
A página virei mas a minha sanidade mental hipotequei

Não te peço nada mais que honestidade
Já podes dar-me razão e credibilidade
Nunca me amaste, vês isso agora?
Como pode ignorar alguém que te adora

Ponho de parte todos os problemas que me trouxeste
Não me arrependo de ter apoiado em todos os que tiveste
Mas dizias que não eras igual às outras
Mas as outras é uma totalidade a que não pertencem poucas.