quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Chuva

Hoje choveu como eu pedia há muitos dias
Sentia falta dela para as minhas fantasias
Mas estranhamente eu não imaginava
Que com a chuva a tristeza me esperava.

Para mim dias assim eram passados serenamente
Dentro de casa no escuro como toda a gente
Mas desta vez todo o conforto que sentia
Transformou-se em revolta em melancolia.

Lembrei-me de como queria passar tardes assim contigo
Abraçados no sofá a aquecer-te o máximo que consigo
Mas de repente na minha cabeça vem a imagem
De que tudo o que sonhei não passa duma miragem.

Dói tanto saber que não é comigo que te aqueces
E que de sentires saudades minhas tu te esqueces
E debaixo do cobertor que já tomava como meu
Não é o meu corpo despido que está colado ao teu.

Não são os meus mimos que recebes de Inverno
E a falta dos teus mimos leva-me ao Inferno
Com a televisão ligada no teu canal preferido
Lembro-me que ao teu lado todos os programas se tornavam o meu favorito.

Adormeço por instantes devido ao escuro
E mesmo a dormir tenho o pesadelo mais duro
De olhos fechados vejo os teu olhar
Cruzado com o de um rapaz vulgar.

No sonho sinto que aquele lugar é meu
O paraíso onde pertenço mais parecido com o céu
Mas encostado a ti está outro de mão dada
E eu sozinho no meu sofá sem nada.

Acordo do meu sono com a luz de um intervalo
Tento expressar-me, dizer tudo mas contigo não falo
Relembro-me como aproveitavamos esse tempo para os nossos beijos
E a televisão acabava desligada para o resto do nossos desejos.

Mas agora não e desligo a T.V. com dores de cabeça
Por ver a tua imagem doce mas indefesa
Lembro-me de quando ficavas doentinha e até mesmo com a dor mais dura
Me puxavas para ao pé de ti e fazias de mim a tua cura.

E enquanto lembro isto e a chuva bate na janela
Tento dormir enquanto choro por ela
Chegou a altura de mudar de almofada
Ela está fria e não foi pela água da chuva que foi molhada.

Sem comentários:

Enviar um comentário