Levantar cedo não custava já era rotina
Tu acordavas bem-disposta com o som da campainha
E em casa sozinha eu acabava com o teu sono
E quando abrias a porta eu iniciava o teu sonho.
Puxavas-me para dentro pelo colarinho da camisa
Amarrotavas-a por completo mas também não ia ser precisa
Levantava-te com os meus braços e encaixávamos com destreza
Encostava-te à parede enquanto te agarrava com firmeza
Percorriamos o corredor a chocar contra tudo
Quadros caíam pelo chão mas o ruído parecia mudo
Até a porta do teu quarto num beijo sem interrupções
Porta fechada para prender a nossa explosão de emoções.
Mandas-me para cima da cama e fechas um pouco os cortinados
Para tornar o ambiente mais confortavel aos nossos pecados
Desapertas-me os meus primeiros dois botões num momento
Arrancas o resto à força porque não queres perder mais tempo
Eu viro-te do avesso com um desejo insaciável
De te tirar o que tens vestido para melhorar a minha paisagem
A roupa voa pelo ar como se o vento a levasse
Coloria todo o quarto até que no chão parasse.
E nós sem querer saber de nada sem ser dos lábios um do outro
Exerciamos os nossos corpos como se tratasse de desporto
A minha saliva e a tua juntas como por magia
Faziam uma combinação única como perfeita alquimia .
O teu corpo é um bilhete grátis para o inferno
Mas não me interessa porque é tudo aquilo que eu quero
Daria tudo o que tivesse e imaginasse não importa
Não tenha muito mas aceita o meu em troca.
E tu aceitavas e usavas e lançavas tuas garras
Ao que era teu, com furor até ficar com as unhas marcadas
Nas minhas costas ensaguentadas pelo teu lado felino
E depois tratavas de mim como se fosse o teu menino.
Eu agarrava-te e saboreava cada pedaço da tua pele
E na cama andávamos às voltas como se fosse um carrossel
E o suor que nos colava sem qualquer tipo de pudor
Já evaporava para a nossa atmosfera aquecido pelo calor.
E desfrutavamos um do outro em qualquer posição
O cansaço não chegava em cima daquele colchão
Na nossa luxúria de nos termos despidos e unidos
Numa realidade só nossa cheia de jardins proibidos,
No final, pescoços marcados e corpos cansados
Bocas sem saliva, restam olhares apaixonados
Que provam mais que tudo sem hipocrisia
Que sem escrevermos nada fazíamos poesia.
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