sábado, 9 de julho de 2016

Gloss

Quando mal sabemos o que é gostar, mais gostamos 
Quanto menos nos queremos dar, mais nos damos
É insano o estado em que me aprisionas e manténs
Comigo não te impressionas e os meus movimentos ficam reféns

És o meu alucinógeno que me retira da realidade
Desperta o meu lado ingénuo e expõe a infantilidade
Tiras-me os pontos dos is enquanto eu procuro a razão
Porque enquanto tu sorris eu perco-me noutra dimensão

A tua silhueta é obra de arte que nem Bernini esculpiria
Da Vinci perdia os pincéis e Houdini não criava nem com magia
Que figura a minha a tomar um caminho longo sem atalhos
Não encontrava assim uma rainha nem que procurasse em cem baralhos

Mergulho no rio Lete quando te olho nos olhos, esqueço-me como se respira
Reflete que gosto de ti aos molhos, e que a tua presença me inspira
Tremo com as tuas inseguranças, tento remover as impossibilidades
Os sacrifícios por ti são danças, por ti eu engulo tempestades

Estou disposto a todos os pecados imorais desde que possa ver o teu sorriso reluzido
Torno-nos aos dois imortais, se for preciso até treino o Cupido
Vou procurar a minha hipótese, para que a nossa felicidade eu esboce no fim
Nem que recorra à hipnose, para beijar o teu gloss, e ficarmos juntos assim.





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