sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hospital

Acordei nesta cama sem saber o porquê de estar aqui deitado
Tentei-me levantar mas o movimento foi escusado
Não me consigo mexer não sinto o meu corpo
Estou completamente dormente, estou a dar em louco.

Ao meu redor é tudo branco, desde os lençóis às paredes
Tenho agulhas espetadas em várias artérias diferentes
Não me lembro de nada, será que tive um acidente
E será que estou aqui sozinho por ser indiferente?

Olho para o lado e vejo uma roupa molhada
Não vejo bem mas parece-me que foi por mim usada
Olho à minha volta e é só silêncio e vazio
Sinto nos ossos uma dor e por dentro sinto frio.

Não sei do meu telemóvel, acho que me tiraram por segurança
Com medo que perguntasse a alguém o que fazia ali à procura de esperança
Não tenho fome, pudera com tanto soro fisiológico
Não sinto o meu físico e não sei do meu psicológico.

Os médicos passam e não dizem nada
Trocam-me a medicação de cara trancada
Já nem tento perguntar o que faço nesta cama
Continuo sem resposta e já estou por cá há uma semana

Não procuro ver ninguém nem saudades sinto
Enquanto escrevo muitas vezes, desta vez eu não minto
Porque se nas minhas estrofes eu torno a minha vida mais real
Quem me dera que a minha escrita me tirasse deste hospital

Na minha cabeça apenas algumas sombras e poucas memórias
Tentar dormir mas sou absorvido pelas insónias
Mas continuo cada dia a tentar respirar mais uma vez
A lutar pela vida com toda a força que falta me fez.




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