Talvez o problema seja meu. Idiota, claro que o problema é meu. É meu em não ser capaz de aceitar todos os teus problemas, aqueles que tens e aqueles que acabo por imaginar que tens. O meu maior defeito é esse, problematizar tudo aquilo que é perfeitamente simples. É difícil quando nos sentimos responsáveis por proteger o maior tesouro do mundo. Manter de pé a ponte entre dois continentes tão distintos e separados por um mar tão tenebroso. Mas é isso que nós somos. Um fenómeno da Natureza tal é a força, o magnetismo que nos atrai e que ao mesmo tempo nos afasta. Por sermos diferentes... por sermos iguais... eu não sei. Sei que nos completamos. Quando estamos separados parece que todos os ventos nos empurram de novo para perto um do outro. Passamos de quilómetros à distância de milímetros, à distancia dum abraço, dum beijo, dum olhar que diga para ficarmos unidos. Eu sou tonto. Sou convencido, teimoso e arrogante por achar que sou forte e que sou capaz de tudo sozinho. Mas a verdade é que esta mentalidade é fraca quando para ser feliz preciso de ti. Não só para ser feliz. Para ser. Sim, porque eu sinto-me mais eu quando estou contigo. Por vezes não gosto da pessoa que sou, talvez um pouco mais de orgulho ou um pouco mais de segurança me fizesse bem. Mas contigo sinto-me em constantes trapezismos e acrobacias sem rede por baixo. Isso não é mau. Alimenta-me. Eu adoro o perigo. Sobretudo quando o meu corpo já pouco sente a dor das vezes que esbarro contra o chão quando falho contigo. E as cicatrizes... claro que ficam... já tentei apagar muitas, não dá... mas o que são cicatrizes? Se as que as tuas unhas deixam eu gosto de as ver no meu corpo porque não habituar-me a valorizar estas também, que estão cá dentro? Se calhar são elas que ainda me prendem a ti. Ou tu a mim. Mas agora pouca coisa importa. Importa-me uma pequena coisa de um metro e sessenta. Tu. Quero-te bem, quero fazer sentir-te viva. Quero mostrar-te que por mais que me conheças melhor que ninguém ainda te posso surpreender. Porque tu mereces. Ou merecemos. Depois de tanto que já passámos, paz agora era tudo. E mesmo neste universo com duas luas, eu não me importo de ser eclipsado pela tua luz, pela tua graciosidade, pela tua força. E por isso eu vou dar tudo. Vou empurrar-te para um mundo que é lugar para ti. Um mundo em que tudo é simples, bonito e diferente. Talvez não seja diferente, mas aos nossos olhos volte a ser um mundo com uma paisagem mais tranquila, mais feliz. Porque todas as curvas e contracurvas que apanharmos nesta estrada acredita que o teu sorriso é a curva que eu não vou querer abrandar para a conseguir. Somos feitos de altos e baixos. Mas vou garantir que os nossos altos façam valer a pena. És a minha prioridade. Talvez um dia eu mude, talvez um dia eu desista. Mas não vai ser hoje... não vai ser hoje.
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